Caindo em si... Correu para o abraço do Pai


Quem nunca enveredou por um relacionamento, um sonho, um projeto, uma empreitada, que jurava ser “a melhor coisa do mundo”, e que lhe traria grande satisfação? E por precaução, até afastou-se de quem desejava demovê-lo da ideia? Mas tempos depois, “caindo em si”, confessou: “O que eu fiz da minha vida?”
Houve alguém assim na Bíblia. O filho pródigo teve sua existência marcada por uma decisão obstinada que não admitia contraditório, buscou a satisfação de seus impulsos e desejos, e finalmente, terminou caindo em uma forma de vida degradante. Até que... “caindo em si” (Lc 15.17)...
O problema é que se passam anos, décadas, e às vezes quase uma existência... até que “caia a ficha”.
Às vezes também levamos tempos vivendo de uma maneira que em nada dignifica nosso ser. A razão? Entramos no ‘modo automático’ e somos levados por inércia... Viver no ‘automático’ nos impede de enxergar o que acontece à volta. É um não se aperceber da vida. Está caindo, mas não percebe, está se aniquilando aos poucos, mas não se dá conta.
No fundo há sempre um medo de enxergar a verdade. Pois quem enxerga se vê na obrigação de tomar uma posição. Existe um “eu” presunçoso demais para admitir que o seu modo de vida pode estar errado, ou que tomou decisões equivocadas.
Fico imaginando quanta gente está vivendo exatamente assim: perdendo seu valor, sua dignidade, a consciência de que é um filho amado de Deus e que deveria valorizar mais a sua própria vida.
Quanto menos consciência se tem, mais afunda. Não é por acaso que era exatamente isso que acontecia com o filho pródigo. Foi perdendo os dotes dados pelo Pai, mas não percebia, foi perdendo os amigos, mas não enxergava. Literalmente sua vida “chafurdava”.
Às vezes tudo o que Deus está esperando para iniciar uma nova história em nós, é um gesto humano, simples, verdadeiro, sem subterfúgios, do mais profundo interior do ser, um... “Eu me rendo, Senhor”.
Pergunto-me se é preciso chegar à uma situação limite para “cair a ficha”. Infelizmente, essa tem sido a regra.
Um detalhe importante na parábola de Jesus: o filho pródigo “caiu em si”, mas o seu irmão mais velho não. A razão? Somente quem admite os seus erros e reconhece o seu pecado cai em si. Agora, quem confia em sua própria justiça – sem aperceber-se de sua condição – está condenado a viver uma forma miserável de existência: coração amargurado... ressentimentos guardados... às vezes até ‘obediente’ ao Pai, mas sem alegria alguma, sem paixão, sem verdade... enfim, um ‘perdido’ dentro de casa e dentro da igreja.
Paradoxalmente, quem ‘cai em si’ sempre se levanta para uma nova vida e corre para o abraço do Pai.
Daniel Rocha Pastor na IM Central em Santo André





















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