Conectados e sozinhos


Ronaldo

Dando continuidade ao texto da semana passada, abordarei mais algumas questões que devem ser levadas em consideração, em um planejamento sucessório. Este texto não tem a pretensão de esgotar o assunto, mas apenas jogar alguma pequena luz sobre o tema, para dar um caminho a quem se interessar pelo assunto.


1. Se a pessoa guarda a Palavra de Deus e cumpre seus mandamentos – I João 2:3-5;

2. Se é alguém que ama, por obra e por verdade, aos seus irmãos – I João 3: 17-18.


Bicicleta

As redes sociais chegaram para nos abrir possibilidades de conectarmo-nos com pessoas próximas ou distantes, algumas que antes ficavam perdidas no tempo e no espaço. São mais contatos e compartilhamentos. Por outro lado, vemos crescer uma cultura narcísica onde a falsidade e a falta de pudor transformam o que antes era um computador pessoal num ‘computador íntimo’.“A tecnologia é, nesse caso, uma espécie de amplificador de nossa natureza – um reino de possibilidades que, no pior dos casos, oferece o risco de reduzirmos pessoas a meros objetos: presenças que ligamos e desligamos de acordo com a nossa vontade e às quais devemos pouco respeito e honestidade. Escondidos por trás de complexidades ainda maiores, estamos constantemente expostos ao risco de nos distanciarmos de relações de pleno comprometimento com os outros e de relações de verdadeira introspecção. ” *O anseio quase incontrolável de estar conectado, acessar o telefone celular, a internet e as redes sociais impulsiona à vivência do que é chamado ‘presente perpétuo’, quando a experiência do tempo não se consolida ao ponto de reter o próprio passado. Essa ‘saturação do agora’ é fortemente acompanhada de estresse, ansiedade e da sensação de perda do controle. Pouco ou nada mantém significado.Um dos dados mais preocupantes que uma pesquisa recente do Instituto Datafolha nos trouxe é o crescimento da parcela da população que afirma não ter religião, o que inclui os descrentes somados aos que não seguem nenhum credo coletivo. Esse grupo passou de 5%, em 1994, para impressionantes 14% dos brasileiros.Dentre os que afirmam crer em Deus mas rejeitam se filiar a alguma igreja muitos se satisfazem em manter uma relação exclusivamente ‘digital’ com a fé. Na superficialidade de uma atenção parcial contínua, fragmentada e distribuída por diversos espaços, relegam à espiritualidade pouco mais que uma noção distante e não normatizadora da vida.É preciso adaptar nossas circunstâncias a nós mesmos, direcionar nossos olhares à natureza de nossas experiências para encontrar um equilíbrio entre nossos hábitos de pensamento e de ação nesse novo mundo.Desviar o olhar não impedirá o crescente domínio das redes sociais e das fontes de informação na internet sobre o que as pessoas pensam ou deixam de pensar. Porém, não podemos permitir que as conexões digitais substituam a comunhão necessária ao desenvolvimento pessoal e da Igreja. Descobrir, juntos, o que podemos nos tornar nessa realidade será um desafio dos cristãos.


* CHATFIELD, T. Como viver na era digital. Rio de Janeiro: Objetiva, 2012.

Luciano Sathler Professor de Escola Dominical Membro na IM Central em Santo André

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