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E como vai a (dí) vida?

5 de abr. de 2016
4 min de leitura

Ronaldo

“Sofro humilhação o tempo todo,

e o meu rosto está coberto de vergonha.”

Salmos 44.15

Conforme anunciei no texto anterior, esta semana falarei um pouco sobre como lidar com as dívidas.


O contexto deste versículo citado acima não tem nada a ver com dívidas. Mas falam sobre dois sentimentos com os quais me deparo praticamente todas as vezes, ao auxiliar pessoas que estão com dificuldades financeiras: a humilhação e a vergonha.


Não que outras pessoas as humilhem ou as façam passar vergonha, longe disso. São sentimentos a própria pessoa desenvolve com ela mesma. E estes sentimentos podem, muitas vezes, postergar uma resolução ao problema financeiro que está se passando, pois fazem com que a pessoa evite encarar suas dívidas, bem como dimensionar o tamanho delas. Muitas pessoas agem como crianças, apenas tampam os olhos com as mãos, na esperança das dívidas desaparecerem como em um passe de mágica.


Se este é o seu caso, pretendo de alguma forma dar algumas direções e ajudar a vislumbrar uma luz no fim do túnel. Se não é o seu caso, mas de algum familiar ou amigo/a, fique à vontade para compartilhar este texto!


Encare seu gigante


• A primeira coisa que uma pessoa com dívidas deve fazer é levantar TODAS as informações sobre TODAS as suas dívidas, por mais difícil e doloroso que isso seja. Isso é importante, pois muitas vezes não se sabe o tamanho do gigante contra o qual está lutando. Em um curso de finanças pessoas que ministrei uma vez, ouvi de uma participante justamente isso: “e o medo de encarar este gigante?”.


• Em uma planilha (no computador ou em um caderno mesmo), insira todas as informações sobre TODAS as suas dívidas, colocando o nome do estabelecimento (seja do banco, loja, o que for), valor da parcela, valor total da dívida (parcela vezes a quantidade de parcelas que faltam) e taxa de juros que é cobrada. Não deixe de colocar nada, nem as famosas “parcelinhas”, pois logicamente diversas parcelinhas juntas, formam um “parcelão”.


Analisando alternativas


• Ordene estas dívidas das mais CARAS (taxas de juros mais altas) para as mais baratas. Se você deixa de pagar as mais caras, logo elas “engolirão” suas receitas.


• Busque substituir taxas de juros mais caras, por taxas de juros mais baratas. Por exemplo, se você deve no cartão ou limite de cheque especial (onde as taxas de juros podem superar os 20% ao mês), verifique se é possível pedir um crédito pessoal que pague todas estas dívidas, para que fique apenas com uma taxa mais baixa.


• Caso tenha bens quitados e que possam ser refinanciados, pode ser uma boa alternativa, pois são bens que podem ser usados como garantia real. Por exemplo, se você tem um carro quitado, pode refinanciar seu veículo, pois é uma das menores taxas de juros. Dessa forma, você levanta o valor para pagar as dívidas mais caras, e fica com uma de juros menor.


• Outra alternativa é buscar algum empréstimo consignado (que são descontados em folha de pagamento), caso sua empresa permita isso. Estes empréstimos possuem uma das menores taxas de juros.


Revendo seu estilo de vida


• Levante bens que eventualmente possam ser vendidos, para a quitação de dívidas. Já conheci famílias, por exemplo, com 2 ou 3 carros na garagem, sem utilização, e a família tendo dívidas em atraso. Muitas vezes a solução dos problemas pode estar mais fácil do que se imagina.


• Reveja seu padrão de vida. Com a crise de hoje em dia, já me deparei com inúmeras pessoas que mesmo tendo perdido seus empregos, por exemplo, não querem abrir mão do padrão de vida que possuem. Sentem como se estivessem dando um passo atrás. Isso torna sua condição de vida cada vez mais insustentável, até o ponto de ser impagável, e ser OBRIGADO a desabar o padrão de vida. Principalmente no meio da crise, da dificuldade financeira, as famílias precisam rever seus hábitos de consumo e repensar suas finanças.


Algumas recomendações e alertas

• Crie o hábito de desenvolver um controle diário de seus gastos. Você pode fazer isso anotando suas dívidas num bloquinho que leve no bolso, ou até usando seu celular (o que eu mesmo faço, usando um aplicativo chamado Mobills, embora existam muitos outros disponíveis na internet). Pode ser algo simples, mas TODAS as pessoas que começam a fazer isso se impressionam com os resultados, e percebem como gastam dinheiro com besteiras, com coisas sem necessidade. Pesquisas mostram que os brasileiros gastam em média até 20% de seus salários com coisas absolutamente desnecessárias, das quais nem se lembram depois.


• Busque não pedir empréstimo consignado para seus pais ou avós aposentados. E vocês, pais e avós, por mais tentador que seja, resistam à tentação de emprestar para seus filhos ou netos, de forma impensada. Sei que é uma recomendação generalista, logicamente podem haver inúmeras exceções, mas é incrível a quantidade de casos em que os pais ou avós entram em situações financeiras terríveis, por conta de empréstimos que depois não foram quitados por seus filhos, netos e parentes. É preciso muita sabedoria e pensamento crítico nessas horas, e não que se haja apenas com o coração.


• Se não está sabendo lidar com seu cartão ou limite, ou peça o cancelamento deles, ou peça para seu gerente diminuir ao mínimo, caso contrário você vai cair no buraco novamente.


Como meu espaço aqui é pequeno, não consigo me aprofundar muito mais por agora, mas em próximos textos buscarei dar mais algumas orientações sobre como lidar melhor com suas dívidas. Na próxima semana, darei algumas sugestões e orientações práticas sobre COMO poupar e melhor administrar seu orçamento.


Faça suas considerações no espaço abaixo destinado a comentários! Coloque suas questões e dúvidas, que posso trabalhar em cima disso em próximos textos!


Grande abraço e que Deus nos abençoe!


Ronaldo Bella Sócio da Allux Investimentos Membro na Catedral Metodista de São Paulo

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