Me ajude na minha falta de fé


Ronaldo
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Um homem desesperado por ver seu filho tomado há muitos anos por um espírito imundo - Marcos 9:17-21. Sem presente e sem futuro, apenas a marca da loucura e da possessão demoníaca marcavam aquela família. O seu legado seria o vazio se não houvesse um herdeiro capaz de carregar seu nome para a posteridade, numa condição digna.

Os discípulos de Jesus tinham tentado de tudo e não conseguiram resolver a situação. A falta de efetividade de suas ações já era objeto de críticas e conversas na surdina, pois a desconfiança certamente cairia também sobre o próprio Jesus - Marcos 9:14-16.

A expressão desesperada do pai, que vemos em Marcos 9:24, remonta à questão da fé como uma base importante para os milagres que Jesus realizou. Lembre-se que, em Sua cidade natal, Cristo "não fez muitos milagres, por causa da incredulidade do povo" - Mateus 13: 58. Marcos realmente diz que Ele "não foi capaz de fazer nenhum milagre a não ser pôr as mãos sobre alguns doentes e curá-los" e que "Ele ficou maravilhado com a sua incredulidade" - Marcos 6:4-6. Sabemos que Jesus Cristo é Deus e que o Senhor tem poder de fazer qualquer coisa. Portanto, o relativo fracasso Dele em Sua cidade foi causado pela incredulidade dos potenciais beneficiários desses milagres. Trata-se de uma autoimposta política de contenção de Deus em casos de descrença e não um sinal de qualquer de falta de capacidade ou competência. Da mesma forma, Cristo poderia ter transformado as pedras em pão a pedido do diabo, mas Ele não o fez porque seria uma violação da prova para a qual Ele tinha sido conduzido pelo Espírito a suportar - Mateus 4. A razão para tal restrição na realização de milagres é a questão da fé. Ou, mais especificamente, a falta dela.

Os milagres de Jesus deveriam servir ao duplo propósito de demonstrar que Ele é o Messias e a veracidade de Sua mensagem. Portanto, os sinais eram geralmente feitos àqueles que estavam dispostos a confiar no que Ele disse. Então, onde Jesus batia contra uma parede de incredulidade teimosa os milagres seriam inúteis e impróprios. Ora, a fé não é uma lâmpada com um gênio, como alguns com frequência tentam exercê-la. Jesus várias vezes repreende seus discípulos por sua "pequena fé" - ver Mateus 17:20.

A fé pode crescer, como uma semente de mostarda, de algo muito pequeno para se tornar imensa - Mateus 13: 31 e 17:20. Pode ser algo inconstante e não sólido, como a semente de fé que nunca se arraiga, rapidamente morre ou é sufocada por ervas daninhas - Mateus 13: 3-23. Às vezes é limitada pelo medo - João 12:42. De vez em quando, aparentemente, ela pode ser genuína, mas depois rapidamente passa da aceitação para a rejeição - João 7:43-53. A maioria dos que seguiram Jesus em um momento ou outro, tendo algum nível de fé, eventualmente virou as costas para Ele, ou seja, escolheu abandonar essa fé - João 6:66

O pai do menino nessa passagem, Marcos 9:24, estava claramente em conflito. Ele tinha suas dúvidas sobre Jesus e seus discípulos, mas, por outro lado, tinha um problema grave e urgente que precisava resolver. Ele tinha visto a incapacidade dos discípulos de expulsar o demônio enquanto Jesus estava no monte da transfiguração e, como Cristo lhes disse mais tarde, esse fracasso foi devido à sua própria falta de fé, pelo menos em parte - Mateus 17:20. Assim, talvez seja compreensível que o pai deixe escapar em seu pedido a Jesus um elemento da dúvida que ele está experimentando: "se você é capaz" - Marcos 9: 22.

Lembramo-nos que o centurião - Mateus 15:28 - e a mulher sírio-fenícia - Mateus 8:13 foram elogiados por reconhecerem que Jesus era completamente capaz, bastando estar disposto - Marcos 7: 24-30 e 8:13. Em muitas ocasiões, Jesus diz aos destinatários de Seus milagres "a tua fé te salvou". Esse pai do filho possuído claramente não estava nessa categoria, daquelas outras pessoas excepcionais que inteiramente e sem reservas se comprometeram com ou estavam dispostos a se comprometer com Cristo por uma fé tão completa.

Na ocasião em questão, Jesus imediatamente deixa claro o assunto, a saber, que a fé Nele deve ser genuína e plena para ser eficaz: "se você pode crer" - é de vocês esse é o problema -, "tudo é possível para aquele que Crê "- Marcos 9:23. A resposta do pai - "Eu acredito, ajude na minha incredulidade!" - é um exemplo bastante claro de "compromisso com reserva mental". Não podemos dizer que não havia fé presente nesse pai, afinal, ele veio em busca de ajuda, professou "eu acredito" e, em sua segunda qualificação de dúvida, pede "ajuda".

É muito importante que esse evento tenha sido incluído nas escrituras, porque nos dá um exemplo bastante didático. Um caso negativo, do tipo de autotortura desnecessária que as pessoas passam, mesmo quando sentem o chamado de Deus, em questões grandes e pequenas. É quando se recusam a ceder inteiramente a Cristo e tomar o que Ele diz com total confiança, agindo com base no que Jesus diz em plena fé. Uma verdadeira fé, indivisível, solícita, zelosa e não morna, é uma coisa muito poderosa. Mas um pouco de dúvida pode destruir tudo - ver Tiago 1: 5-8.

Luciano Sathler Professor de Escola Dominical Membro na IM Central em Santo André

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